Balanço Cultural Janeiro

Esse mês deve ser um mês atípico, talvez pela sensação de “férias” (apesar de não ter tido férias de verdade…). Estou quase me sentindo culpado pelo placar:

  • 13 filmes
  • 1 viagem
  • 1 livro

Começando pelos filmes, em algo como uma ordem cronológica… Assisti Norbit, e dei algumas boas risadas… Achei que ia ser uma grande porcaria, mas foi uma boa porcaria. Divertido. A história de um pobre orfão que descobre o amor da sua vida no orfanato, mas logo o perde e por um azar do destino uma mulher gigante e horrorosa cola na dele, e o faz acreditar que uma vida de humilhações e submissão é o que merece. Mas logo seu grande amor volta a cidade, mais linda do que nunca, mas com alguns problemas que o cavaleiro andante terá que ajudar a resolver. Muitas piadas sobre sua mulher gigante e seus irmãos valentões, politicamente incorreto contra pessoas gordas e negros. Pegue um grande balde de pipoca e assista sem compromisso.

El Orphanato é mais uma rica peça com a participação de não mais, não menos do que Guillermo del Toro. Um suspense de ficar colado na poltrona, segurando a mão da sua esposa/namorada/whatever. Sem apelar para o gore ou monstrinhos, consegue surpreender e agradar mesmo aqueles que estão cansados do gênero terror. Tem um gostinho de El laberinto del fauno, onde o mundo real e o imaginário se confundem perdidos na imaginação infantil. Esse eu recomendo fortemente, deve fazer parte da cultura geral de todo apreciador de cinema que se preze!

007 Cassino Royale. Meu pai tem uma coleção bem completa de todos os 007s antigos, e os meus preferidos são os com nosso amigo Sean Connery. Depois de assistir os mais recentes com Pierce Brosnan, sinceramente, fiquei cansado da overdose de sequencias de ação totalmente improváveis e irreais, onde James Bond era praticamente um super-herói cujo super poder era a sorte infinita. O foco também deixava de ser a história, para dar ênfase a parafernália eletrônica que, juro, me empolgava nos filmes antigos, mas começou a irritar pelo excesso. Acho que os diretores capturaram este descontentamento dos fãs, e criaram um ótimo filme de ação, mais crú, onde Bond se machuca, cai, leva porrada, é enganado, e só se sai bem graças as suas habilidades, e não aos seus gadgets de alta tecnologia. Thumbs up! Pipoca na veia!

Final Fantasy VII: Advent Children. Eu sou um apreciador da saga de video game Final Fantasy, sempre um RPG de excelente qualidade e gráficos incríveis. Joguei no computador o Final Fantasy VII sem no entanto finalizar o jogo. Trabalho, sempre o trabalho. Quando vi este título na locadora, o saudosismo invadiu, e quis assistir este longa baseado no jogo. Na verdade, a história se passa mais ou menos como uma continuação dos eventos do jogo, no mesmo ambiente e com os mesmos personagens. Apesar da excelência gráfica (ok, devemos dar sempre as devidas proporções de acordo com a época de produção, não espere um Avatar…) a história é chata, não empolga, não mantêm um bom ritmo, diálogos enfadonhos… enfim, boring. Uma decepção. Se você é um saudosista e gosta de computação gráfica e não tiver nada melhor o que fazer, vá e assista, caso contrário, passe longe.

Slumdog Millionare. Ou em português, Quem quer ser um milionário? Um indiano pobre começa a acertar as perguntas de um programa igual ao nosso Jogo do Milhão, e é preso por suspeita de trapaça. E então começa a contar sua saga, e como sabe a resposta de todas as perguntas, e o motivo de estar participando: a busca pelo amor da sua vida. O filme tem uma fotografia muito bonita, sua história é muito bonita, mas de tanto ouvir falar dele, esperava mais. Mas não deixe de assistir, sem dúvida é um filme que faz a diferença.

Kalifornia. Mais um filme onde Brad Pitt tenta mostrar que não serve somente para papéis de galã. E consegue. Um filme intrigante, onde um casal começa sua viagem para a Califórnia, atrás de material para um livro sobre serial killers. E acabam descobrindo que seus caronas são, eles mesmos, assassinos frios. Um suspense perturbador, mais um que nos faz questionar a natureza humana. Recomendado para os amigos.

The Last King of Scotland, filme que deu o oscar de melhor ator para Forest Whitaker, sobre o presidente ditador de Uganda Idi Amin Dada. Acredito que o filme seja pseudo-histórico, com as devidas liberdades poéticas, mas de qualquer forma também é um excelente filme, mostrando também a sempre perturbadora realidade vivida pelo continente africano. Muito bom.

Up, Altas Aventuras! E quem disse que desenho animado é só para crianças? Já a algum tempo os grandes estúdios sabem que a verdadeira fórmula de sucesso de uma animação é envolver tanto o público infantil quanto o adulto. Eu tenho minhas dúvidas se isto foi bem balanceado em Up, achei que o roteiro é muito mais apreciado por um adulto do que por uma criança. Claro que existem as cenas bobas e engraçadas feitas para a criançada rir, mas numa quantidade bem menor do que, por exemplo, Ice Age ou The Incredibles. Com certeza muito gostoso de assistir, com cenas que até dão um certo nó nesta passa seca que você chama de coração. Vale a pena.

Trois couleurs: Rouge. EU ASSISTI TODA A TRILOGIA DAS CORES. Este é o último. Podem atirar pedras aqueles que se acham cults, mas precisa ter coragem para assistir todos os três. Ok, belíssimos, sempre mostrando o lado humano, de paixão, egoísmo, amor, perda, e bla bla bla…, mas como uma boa salada de alface e tofú, é saudável mas insípido. Só não dormi porque sou daqueles que querem ver até onde o filme vai, mesmo os piores. Se quiser impressionar os amigos, vá em frente e assista! Ou ainda preciso desenvolver um gosto mais apurado por este tipo de filme, ou todos os cinéfilos se reúnem em suas rodinhas e mentem descaradamente. Tentei achar um elemento de ligação entre os três filmes, e achei: aquela velhinha corcunda ao fundo, que fica tentando colocar garrafas no recipiente de reciclagem. É quase uma brincadeira de “Onde está Wally” vê-la, então, não acredite em ninguém que diga ter visto a trilogia sem comentar da tal velhinha. Não diga que eu não avisei.

Todo sobre mi madre. E bem vindo ao mundo de Almodóvar! E falando em cinema autoral, tá aí um cara que todo filme é um convite para um passeio em sua cabeça. Eu tenho medo dele. Já vi filmes com gays, travestis, padres que violentam garotinhos, freiras que engravidam de travestis e pegam AIDS… Que mundinho deturpado. Mas não dá pra negar que o cara sabe contar uma história, e mostrar a humanidade de seus personagens, muitas vezes em situações extremas. Este filme não é diferente. Mas conheço muita gente que não teria estômago para assistí-lo, entã vá com cautela. É tapa na cara no maior estilo Almodóvar.

Gran Torino. O que eu posso falar sobre Clint Eastwood? Acho que o mundo perdeu um ator discutível, mas ganhou um diretor/produtor/roteirista de primeira. Suas histórias são simples, atacando temas polêmicos como a eutanasia em Million Dolar Baby, a visão mais humana do derrotado em Letters from Iwo Jima, e este, sobre os enganos causados pelo preconceito racial. Não sei porquê, tinha uma impressão errada do roteiro, achei que Clint seria o bad guy, mas não tem como não se afeiçoar ao velhinho mais badassmotherfucker que o cinema já viu. Recomendo!

O mais novo filme Star Trek me deu a sensação, me corrijam os trekkers de plantão, de ser um filme bem digno do nome. Eu tenho a série em minha mais alta conta, apesar de não ir ao cinema vestindo orelhas pontudas… Gostei do ritmo, gostei da ação, e de todas as referências a série de TV. Sem falar da emoção de ver meus heróis, adolescentes, e o começo de tudo. Filme pipoca + diversão com certeza!

Paris, je t’aime. O que eu posso dizer… Cinema francês deve ser pra poucos, e eu me excluo do grupo. Neste filme, um grupo de diretores famosos contam histórias de amor em Paris. Ótimo filme para agências de viagem ou se você planeja ir para a capital mais bonita do mundo, mas não se você quiser diversão. Cinéfilos sadomasoquistas, este é pra vocês.

E chega de filme, acho que exagerei este mês, preciso ler mais e perder menos tempo na frente da tela… Tudo bem que, para compensar, fiz minha primeira grande viagem de moto, passando por Jaguariúna, Pedreira, Amparo e finalmente, Serra Negra. Esta viagem gerou boas fotos, e me mostrou que estava pronto para viagens mais longas. Na verdade, só vimos de passagem tanto Jaguariúna quanto Amparo, paramos mesmo em Pedreira e Serra Negra. Pedreira tem todo tipo de artesanato feito de… pedras (vidro, porcelana, pedra sabão, ferro), além de artesanato em madeira e ítens de decoração. Apesar de não gostar de feiras de artesanato, realmente o material era muito bonito e barato, e apesar do pouco espaço, acabei trazendo um candelabro de lá, de ferro em formato de tulipa. Está na mesinha da sala. Serra Negra é uma cidade com vocação turística, que me disseram ser uma cidade romântica. Não sei se pelo pouco tempo ou pelo desconhecimento, senti falta de ver mais beleza natural, que era a minha expectativa. Mesmo assim, seguimos por uma estradinha secundária de asfalto e depois terra, e chegamos numa propriedade particular que, infelizmente, cobrava para que os visitantes tivessem acesso a Cachoeira dos Sonhos… Ela valeu a viagem.

E finalmente, para finalizar a programação cultural, li Pragmatic Thinking and Learning: Refactor Your Wetware (Pragmatic Programmers). Ultimamente tenho estado atraído pelo tema de auto-compreensão e como acessar novas formas criativas de pensamento. Sou um cara de exatas, fui treinado para ter pensamentos lógicos, analíticos e não cometer erros (ou pelo menos me esforçar…). Mas nesta altura do campeonato, algumas das minhas atividades têm perdido a cor e o sabor, como se a vida fosse um grande lanche de fast-food sem graça. Este livro sugere que para alcançarmos novos níveis de produtividade, nós, exatóides, precisamos desenvolver a nossa criatividade e permitir que nossos modos de pensar e aprender envolvam tanto a forma de pensar analítica e lógica, quanto a holística e criativa. Para muitos pode parecer um bla bla bla de livro de auto-ajuda, mas resolvi vencer meu ceticismo e comecei a praticar desenho como hobby. Comecei a ler um livro que fazia parte da referência bibliográfica: The New Drawing On The Right Side Of The Brain, e vamos ver onde vou chegar. Afinal de contas, especialização é para máquina e formigas.

E até o próximo mês…

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Posted Sunday, January 31st, 2010 under Cultura e Diversão.

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